Não é nenhuma novidade que o governador Sérgio Cabral esteja mal na foto. Está mesmo. A difícil equação política para seu vice-governador e pré-candidato ao governo do Estado, Luiz Fernando Pezão, será demonstrar que, embora tenha essa função institucional, que goze de plena confiança do governador, que tem força na Secretaria de Estado de Obras, que, embora cumpra praticamente a mesma agenda do governador, que, com tudo isso, e ainda sendo o nome escolhido para disputar pelo PMDB o governo do Estado, ele é diferente, tem sua própria maneira de fazer as coisas e que suas ações estão carregadas de sua digital e não necessariamente da do governador, embora esteja falando do mesmo governo.
Não, definitivamente não é uma tarefa simples para Pezão e sua equipe de campanha, mas precisa ser feito, dito e, acima de tudo, provado. E tudo sem deixar sequelas, sem provocar ranhuras internas. Não se convence o povo só pelo marketing, é preciso provar as coisas. Esse é o seu desafio maior.
Pois bem, isto posto, importante destacar uma particularidade desse homem público interiorano. Pezão emergiu de uma cidade pequena, Piraí, no Sul do estado. Quando prefeito local, seu destaque foram dois, em meu entendimento, o de ter ficado conhecido em Brasília pela insistência com que apresentava projetos e pedia ajuda financeira, seja por transferências diretas e convênios ou por meio de emendas parlamentares; e o da gestão empreendedora e desenvolvimentista que fez na cidade. Todos os indicadores oficiais e conhecidos da época demonstravam que sua gestão fazia a diferença.
Agora, nas prévias dessa disputa maior, ao que parece, terá dois adversários com históricos absolutamente diferentes e igualmente importantes, sendo que o ex-governador e deputado federal garotinho consolidou sua imagem de gestor que faz pelo interior, e o petista Lindbergh governou numa das maiores cidades da região metropolitana do Rio, Nova Iguaçú, na Baixada fluminense. Nesse sentido, por opção de trabalho, não sei se pessoal ou orientado pelas pesquisas de opinião, Pezão é quem cuida do relacionamento com os municípios, enquanto Cabral se dedica aos grandes contratos e contatos - e vai sendo alvo de denúncias cada vez mais, a mais recente é a de uma possível oferta milionária e escusa em sua essência ao partido Solidariedade, que o MPF investigará.
Nessa de ter um perfil mais voltado ao conceito municipalista, o vice-governador Pezão ressalta o fato de estar pilotando a assinatura de convênios, que, segundo ele, estabelecidos numa meta, hoje completará ao menos um para cada um dos 92 municípios do estado, não importando a que governo pertença o prefeito. Pezão, sabedor das dificuldades eleitorais que enfrentará, tem se reunido com prefeitos - por regiões do estado e, com eles, elabora um plano de investimentos para este ano de 2014, discute projetos em comum, trata de consórcios intermunicipais, auxilia na busca de dinheiro extraordinário por meio de convênios, enfim, vai tocando sua agenda institucional pra frente, podendo, por óbvio, colher disso, dividendos políticos com lastro eleitoral. É com trabalho que se convence, não com discurso, nisso ele está correto.
É o jogo!
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