sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O ANO DO TUTUCA


Declarado e orgulhoso filho de Piraí/RJ, o deputado estadual licenciado e titular da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, com ascensão política meteórica, Gustavo Tutuca, teve a sorte de cair no lugar e na hora certa, mas, fundamentavelmente, tem demonstrado extrema capacidade executiva. 

Foi apadrinhado pela liderança do vice-governador Pezão, tem se mantido pela qualidade de seus serviços prestados à sociedade, e tem se destacado, reconheça-se, pela forma correta com que tem feito a gestão dos recursos públicos de sua pasta, interagido institucional e politicamente com os demais entes federados e, acima de tudo, pela forma inteligente com que busca expandir o conhecimento com olhar geográfico e não o geopolítico.

Sob sua digital, o Estado investe pesado em parques tecnológicos, na expansão da planta da Faetec e CVT, mais do que nunca descentralizando da região metropolitana - indo em direção as regiões interioranas, o que espalha as oportunidades de acesso à qualificação e consequente conhecimento. 

Os servidores de carreira do Estado, professores da Fetec conquistaram o Plano de Cargos e Salários - PCS, entre outros benefícios trabalhistas e da agenda social. Habilidoso e conhecedor dos atalhos na ALERJ, político agregador, Tutuca tem projetado seu nome de forma muito natural e consensual, calando, quando não sendo objeto de referência, até na voz de seus críticos.

Ao seu posto de trabalho, dado o prestígio que alcançou - e vem crescendo, recebe visitas protocolares e pedidos formais de prefeitos, vereadores e secretários municipais de ajuda para assuntos que as vezes até extrapolam seu ofício. Não se nega a contribuir, mas faz isso na dose certa, sem prometer o que lhe foge às mãos, sendo realista -e por isso é cada vez mais uma referência institucional. 

Não obstante, prefeitos o citam em entrevistas, rotineiramente. O governador Sérgio Cabral, que praticamente desconhecia o jovem Tutuca, hoje não abre mão de seus préstimos ao Estado - é de lá, de seu gabinete, que tem saído as principais notícias desta gestão, ultimamente. 

Recentemente, em um evento social de um clube da cidade de Piraí/RJ, que leva o nome do ex-prefeito local - e que é seu pai, o prefeito, Dr. Luiz Antonio, foi cirúrgico, como médico que é, ao dizer que: "O secretário Gustavo Tutuca representa mais que o Estado do Rio na função que ocupa, mas o interesse nacional em tecnologia, desenvolvimento humano no conhecimento na cidade da Copa". 

Mas, o interessante da história toda é o perfeccionismo do talentoso secretário de Estado, quando perguntado se tudo vai bem, responde costumeiramente que vai sim, mas que este é o começo de grandes desafios que há pela frente - de dar as respostas devidas e com qualidade à sociedade, ao povo. Responsabilidade é isso, penso eu, saber que está no caminho acertado, mas não perder a compreensão crítica das coisas.

Fica aqui o meu reconhecimento também.
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11 horas    -     adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Parceria Público-Privado Político

Olá, boa noite.
Este é meu Artigo publicado no site do jornal regional 'Folha Vale do Café'. Espero que gostem e, acima de tudo, que sirva à reflexão e como ingrediente aos debates que porventura surjam. No link acima, além de ler este e os anteriores, é possível também conhecer melhor a página e desfrutar de informações exclusivas, muito bem elaboradas e de grande interesse social.


19h30min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

IBOPE: BRASILEIROS SABEM POUCO SOBRE REFORMA POLÍTICA


O Brasil acha a reforma política importante, mas sabe muito pouco sobre ela. Pesquisa Ibope/Estado mostra que dois em cada três brasileiros ouviram falar pela primeira vez do assunto ao serem interpelados pelo pesquisador - ou nem sequer conseguiram responder à questão - e menos de 1 em 10 entrevistados diz saber bem do que se trata. 

Apenas 36% disseram ter conhecimento de que se discute a reforma política. Saber que o debate existe não significa estar por dentro do seu conteúdo. Tanto que só 7% dos entrevistados se declararam bem informados sobre a reforma política. Outros 34% disseram ao Ibope estar pouco informados, e a maioria absoluta disse estar "nada informado" (52%) ou nem sequer soube responder (7%).

Considerando-se apenas os 41% que têm alguma informação (a soma dos "bem" e "pouco" informados), a maioria é favorável à realização da reforma política no Brasil: 39% concordam totalmente, 33% concordam em parte e 7% discordam. O resto ficou no muro (nem concordou, nem discordou) ou não respondeu.

Mas nem todos desses 41% teoricamente informados sabem dizer, espontaneamente, do que trata a reforma política. Um em cada três (28%) não conseguiu dizer nenhuma medida específica que esteja sendo discutida para reformar a política brasileira.

Na prática, sobram 30% de brasileiros que dizem ter algum grau de informação sobre a reforma política e sabem citar um exemplo do que está em debate. Os pontos mais mencionados por eles foram: acabar com suplente de senador, com as votações secretas no Congresso, com as coligações partidárias e com o voto obrigatório - todas essas na faixa de 20% a 23% de citações.

A seguir, os exemplos de reformas mais lembrados foram a realização de um plebiscito conforme proposto pelo governo federal (18%), mudar a forma de financiar as campanhas eleitorais (12%), reduzir o número de partidos (12%), realizar uma constituinte sobre o tema (8%) e outros menos cotados.

O Ibope perguntou então aos entrevistados quão informados eles estavam sobre sete pontos específicos da reforma política. As opções de resposta ("bem", "pouco" ou "nada" informado) foram convertidas em uma escala de até 100 pontos, que mede o grau de conhecimento do brasileiro sobre cada uma dessas reformas.

Voto secreto. O tema que se mostrou mais popular entre os brasileiros foi "acabar com o voto secreto no Congresso Nacional ou seja, permitir que todos possam saber como os deputados votam". Mesmo assim, marcou apenas 26 pontos num máximo de 100 na escala de conhecimento sobre o tema. Com os outros foi ainda pior.

"Acabar com suplente de senador" e "mudar a forma de financiamento das campanhas eleitorais" empataram em segundo lugar, com grau de conhecimento 22 em 100. Depois vieram "acabar com alianças entre partidos nas eleições de deputados" (20/100), "voto distrital" e "permitir candidatos não filiados a partidos nas eleições" (ambas com 18/100). A "lista fechada" para eleição de deputados e vereadores ficou em último lugar, com 16/100.

É levando-se em conta esse baixo grau de conhecimento dos eleitores sobre as propostas que se deve analisar o seu grau de concordância com cada uma delas. Usando-se a mesma escala de 0 a 100, o maior apoio dos entrevistados foi para acabar com as votações secretas no Congresso: 86 num máximo de 100. A seguir, com 85/100, vem o apoio ao fim dos suplentes de senador.

Acabar com as coligações partidárias nas eleições proporcionais marcou 81 pontos de apoio, e a permissão para candidaturas avulsas, ou seja, de pessoas sem filiação partidária nas eleições ficou com 72 pontos num máximo de 100.

Pelo baixo grau de conhecimento prévio das propostas, essas questões configuram o que se chama de imposição de problemática: a maioria dos entrevistados só toma pé do assunto após ser abordado. Isso significa que as taxas de apoio e rejeição estariam sujeitas a grandes variações caso a reforma política fosse popularizada via campanhas publicitárias durante a preparação para um plebiscito, por exemplo.

A pesquisa Ibope/Estado foi feita entre os dias 15 e 19 de agosto. Foram 2.002 entrevistas face a face, na residência dos entrevistados. A pesquisa tem abrangência nacional: foi feita em 143 municípios de todas as regiões do Brasil. Sua margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%.
Fonte: Estadão Conteúdo / via: A Tribuna
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15h13min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

domingo, 14 de julho de 2013

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO VIGIADO.

Minha estréia como colunista do importante jornal da região Sul Fluminense e Vale do Paraíba, 'Folha Vale do Café', já está na versão impressa e digital. O periódico está repleto de excelentes reportagens, abordagens sucintas sobre temas que envolvem diretamente a população das regiões compreendidas na cobertura do jornal, variedades, cultura, esporte, política, enfim. Não percam. Neste espaço, publico exclusivamente a coluna que está no jornal, nas bancas. Estou aberto para conhecer a sua opinião, basta enviar um e-mail.

Clique sobre a foto e visualize-a melhor


Leia abaixo o Artigo publicado no jornal

     Quero dar um salve a todos os leitores deste prestigiado jornal e deixar aqui o registro de minha intensa satisfação em poder contribuir com o processo de reflexão e de debate público sobre temas que tanto nos envolvem e nos apaixonam.
     Por oportuno e dever cívico, não posso deixar de dar um breve pitaco sobre o que penso em relação a essa questão do monitoramento americano sobre nossas relações virtuais, que,   segundo matéria do jornal O Globo (07/07/13), escrita pelos jornalistas Glenn Greenwald, Robert Kaz e José Casado, sob o título: "Na Teia da Espionagem", ficam bisbilhotando as nossas relações. Várias coisas podem ser ditas. 
     Particularmente, não entendo ser difícil que de fato tenha havido essa intromissão ilegal do Governo dos EUA contra nossa gente, nosso convívio, que, segundo a Presidenta Dilma, fere nossa soberania. Ora, eu mesmo faço monitoramento de redes sociais. Há softwares livres, pagos, métricas diversas, análises estatísticas, enfim, usadas por políticos, agências de publicidade, assessorias de comunicação, redações jornalísticas, não há limite. Esse monitoramento baliza, entre outras ferramentas e estratégias, a tomada de decisões. Daí para algo mais sofisticado é um pulo.
    Matéria do provedor de notícias na internet IG, diz que o FBI (Polícia Federal dos EUA) anunciou, três meses antes de explodir esse escândalo relacionado ao programa de monitoramento da Agência Nacional de Segurança Americana (NSA, na sigla em inglês) vazado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, que é um americano que trabalhava numa empresa terceirizada para a NSA (sigla em inglês) - que planejava ampliar a espionagem do governo dos EUA via redes sociais. Segundo o conselheiro-geral do órgão, Andrew Weissmann, uma das prioridades do FBI para este ano é aumentar sua capacidade de monitoramento de dados do Gmail, Google Voice e Dropbox. As revelações foram feitas em março em reportagem da revista Slate .
     Não está muito claro o que de fato os americanos monitoram no Brasil. Segundo o Ministro das Comunicações do Brasil, Paulo Bernardo, o embaixador dos EUA no Brasil, negou esse tipo de exercício, e, antes mesmo de sentar-se com os representantes do Facebook e do Google, estes já teriam adiantado que não cedem à governos dados de seus usuários. Isso e nada tem o mesmo valor.  O fato é que o Brasil passa por um momento importante e sua condição geopolítica é de liderança, e isso desperta interesses.
     O que está ficando escasso no mundo em recursos naturais, superabunda no Brasil, como petróleo e água, por exemplo. Em termos de ligações em redes por telefonia fixa e/ou móvel e pela internet, já estamos entre os maiores consumidores mundiais, logo, relacionamentos em que toda sorte de assuntos são tratados por conversas que trafegam sem muita segurança, e por relacionamentos sem qualquer segredo. Nossa Defesa é vulnerável, física e cibernética. 
     Há ainda os interesses econômicos. Segundo a Dra. Magda Chambriard, diretora da ANP. "se as empresas brasileiras falharem, estrangeiras ocupam", deixando claro que casos como o do Grupo X não devem afetar o apetite do mercado pelo leilão dos próximos blocos do pré-sal.  É o eu disse no começo desta escrita, não há redação conclusiva, qualquer leitura faz sentido. 
     Estamos descobertos, indefesos, vulneráveis, e só soubemos dessas coisas porque um americano resolveu delatar seu governo, para o qual trabalhava por meio de uma espécie de empreiteira - e que não suportou, segundo disse em entrevista, ver tamanha violação de privacidade; e não porque nossa intelligentsia  descobriu coisas que envolvem questões de Estado contra sua nação.
Até a próxima edição
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20h09min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

domingo, 9 de junho de 2013

PIRAÍ: EVOLUÇÃO NARRADA EM LIVRO

Olá, boa noite

Recebi um exemplar do livro "Piraí: Dos Caminhos do Café aos Caminhos Digitais", enviado à mim pelo Prefeito de Piraí, o socialista Dr. Luiz Antonio, pelas mãos do Secretário Municipal de Cultura, o competente jornalista e publicitário Charles Barizon, e li-o. O gestor público de cultura do Município me alertou que estava passando para minhas mãos uma obra de valor cultural e historiográfico dos mais inestimáveis, quando acrescentou que gostaria que eu conhecesse um pouco mais da força dessa sociedade e da importância dessas conquistas. 

É inegável a qualidade gráfica de apresentação e, o mais importante, a contextualização cultural exibida no livro. De excelente bom gosto, muito bem diagramado, o exemplar, que é de 2011, escrito pelos profissionais Franklin Dias Coelho, José Maria Campos Lemos, Maria Amélia Mello, Maria Helena C. Horta Jardim e Paulo Lamego, recupera e põe no seu devido lugar - um trecho dos mais significativos da evolução cultural e histórica de Piraí e seu povo, principalmente na forma como se deu essa transição de um modelo produtivo econômico para um modelo de convivência com o conhecimento. São 180 páginas com fotos que sublinham perfeitamente a narrativa e textos bem formulados e escritos de maneira absolutamente professoral, de maneira que está proposto ao público e aos estudos para qualquer faixa do estrato social. 

Piraí é hoje, sem qualquer sombra de dúvida, uma grande referência na política de inclusão digital e social por meio da tecnologia. Preparado para o mundo, o livro é escrito em duas línguas, português e inglês. A despeito de o município de Piraí já ter sido o único, na América do Sul, a ganhar o cobiçado prêmio Top Seven inteligente Communities (As 7 cidades mais inteligentes do mundo), conforme matéria do jornal Folha do Interior, os investimentos públicos não param. O Prefeito Dr. Luiz Antonio já prepara novidades na expansão do projeto, começando agora pela disponibilização de tablets para uso da população nas praças. A experiência começa com um ponto na cidade - e tende a evoluir na medida em que o interesse público for crescendo pelo serviço. Parabéns ao prefeito e ao Secretário de Cultura de Piraí pelo excelente trabalho, e obrigado pelo livro.
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19h07min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O ENIGMA DAS ELITES



A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil - uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país. É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo. O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil. Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido. Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam. Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso. Aí fica difícil.

Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições? Não pode ser. Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela. É gente que não acaba mais. Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos. Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT.

As elites seriam os ricos, talvez? De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora. Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula. Ninguém foi expropriado sequer em 1 centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em conseqüência de qualquer ato direto do governo. Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem "chamados a Brasília" ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa. No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos. De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou. Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido. Pelos seus cálculos, surgem dezenove novos milionários por dia no Brasil, o que dá quase um por hora, ou cerca de 7 000 por ano; em 2011, o último período medido, o Brasil foi o país que teve o maior crescimento de HNWIs - no dialeto dos pesquisadores, "High Net Worth Individuais", ou "milionários". O resultado é que há hoje no Brasil 170 000 HNWIs - os 156 000 que havia no levantamento de 2011 mais os 14 000 que vieram se somar a eles, dentro da tal conta dos dezenove milionários a mais por dia.

Não dá para entender bem essa história. O número de milionários brasileiros, após dez anos de governo popular, não deveria estar diminuindo, em vez de aumentar? Deveria, mas não foi o que aconteceu. A sempre citada frota de helicópteros de São Paulo, com 420 aparelhos, é a segunda maior do mundo; no Brasil já são quase 2000, alugados por até 3 000 reais a hora. Os 800 000 brasileiros, ou pouco mais, que estiveram em Nova York no ano passado foram os turistas estrangeiros que mais gastaram ali: quase 2 bilhões de dólares. Na soma total de visitantes, só ficaram abaixo de canadenses e ingleses - e seu número, hoje, é dez vezes maior do que era dez anos atrás, início da era Lula. O eixo formado pela Avenida Europa, em São Paulo, é um feirão de carros Maserati, Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Rolls-Royce, Bentley, e por aí afora. Então não podem ser os ricos os cidadãos que formam a elite brasileira - se fossem, estariam sendo combatidos dia e noite, em vez de viverem nesse clima de refrigério, luz e paz.

Um outro complicador são as ligações de Lula com a nossa vasta armada de HNWIs, como diriam os rapazes da Merrill Lynch. É um mistério. Como ele consegue, ao mesmo tempo, ser o generalíssimo da guerra contra as elites e ter tantos amigos do peito entre os mais óbvios arquiduques dessa mesmíssima elite? Ou será que bilionários e outros potentados deixam de ser da elite e recebem automaticamente uma carteirinha de "homem do povo" quando viram amigos do ex-presidente? Para ficar num exemplo bem fácil de entender, veja-se o caso do ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, uma das estrelas do círculo de amizades políticas de Lula. O homem é o maior produtor individual de soja do mundo, e a extensão das suas terras o qualifica como o suprassumo do "latifundiário" brasileiro. É detentor, também, do título de "Motosserra de Ouro", dado anos atrás pelo Greenpeace - grupo extremista e frequentemente estúpido, mas que ainda faz a cabeça de muita gente boa pelo mundo afora. É claro que não há nada de errado com Blairo: junto com seu pai, André, fundador da empresa hoje chamada Amaggi, é um dos heróis do progresso do Brasil Central e da transformação do país em potência agrícola mundial. Mas, se Blairo Maggi não é elite em estado puro, o que seria? Um pilar das massas trabalhadoras do Brasil? Lula anda de mãos dadas com Marcelo Odebrecht, presidente de uma das maiores empreiteiras de obras do Brasil e do vasto complexo industrial que crescerem torno dela. Ainda há pouco foi fotografado em companhia do inevitável Eike Batista, cuja fortuna acaba de desabar para meros 10 bilhões de dólares, numa visita a um desses seus empreendimentos que nunca decolam; foi seu advogado, logo em seguida, para conseguir-lhe um ajutório do governo. É um fato inseparável de sua biografia, desde o ano passado, o beija-mão que fez a Paulo Maluf, hoje um aliado político com direito a pedir cargos no governo - assim como Maggi, que ainda recentemente foi cotado para ser nada menos, que o ministro da Agricultura de Dilma. Dize-me com quem andas e eu te direi quem andas e te direi quem és, ensina o provérbio.   Talvez não dê, só por aí, para saber quem é realmente Lula. Mas, com certeza, está bem claro com quem ele anda.

As classes que Lula e o PT descrevem  a "elite brasileira" não são suas amigas só de conversa - estão sempre prontas para abrir o bolso e encher de dinheiro a companheirada. Nas últimas eleições presidenciais, presentearam a candidata oficial Dilma Rousseff quase 160 milhões de reais - mais do que deram a todos os outros candidatos somados. Há de tudo nesses amigos dos amigos: empreiteiros de obras, é claro, banqueiros de primeira, frigoríficos empenhados até a alma no BNDES, siderúrgicas, fábricas de tecidos, indústrias metalúrgicas, mineradoras. É o que a imprensa gosta de chamar de "pesos-pesados do PIB". Ninguém, nessa turma, faz mais bonito que as empreiteiras, que dependem do Tesouro Nacional como nós dependemos do ar. Foram as maiores doadoras privadas às eleições municipais do ano passado: torraram ali quase 200 milhões de reais, e o PT foi o partido que mais recebeu. Ficou com cerca de 30% da bolada distribuída pelas quatro maiores empreiteiras do país, e junto com seu grande sócio da "base aliada", o PMDB, raspou metade do dinheiro colocado nesse tacho. Todo mundo sabe quem são: Andrade Gutierriz, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. Mas esses nomes não resolvem o enigma que continua a ocultar a identidade dos membros da elite. Com certeza, nenhum dos quatro citados acima pertence a ela, já que dão tanto dinheiro assim ao ex-presidente, seu partido e seus candidatos. Devem ser, ao contrário, a vanguarda classes populares.

Restariam como membros da elite, enfim "inconformados" com o fato de que "um operário chegou à Presidência" ou que a "classe melhorou de vida. Mais uma vez, não dá para levar a sério. Por que raios essa gente toda está inconformada, se não perdeu nada com isso? Qual diferença prática lhes fez a eleição de presidente de origem operária, ou por que sofreriam vendo um trabalhador viajar de avião? Num país com 190 milhões de habitantes, é óbvio há muita gente que detesta o ex-presidente, ou simplesmente não gosta dele. E daí? Que lei os obriga a gostar? Acontece com qualquer grande nome da política, em qualquer lugar do mundo.  Ainda outro dia, milhares de pessoas foram às ruas de de Londres para festejar alegremente a morte da ex-líder britânica Margaret Thatcher - que já não estava mais no governo havia 23 anos. É a vida. Por que Lula e seus crentes não se conformam com isso e param de encher a paciência dos de outros com sua choradeira sem fim? O resumo dessa ópera é uma palavra só: hipocrisia. Lula bate tanto assim na "elite" para esconder o fato de que ele é hoje, na vida real, o rei da elite brasileira. O ex-presidente diz o tempo todo que saiu do povo. De fato, saiu - mas depois que saiu não voltou nunca mais. Falemos sério: ninguém consegue viver todos os dias como rico, viajar como rico, tratar-se em hospital de rico, ganhar como rico (200 000 reais por palestra, e já houve pagamentos maiores), comer e beber como rico, hospedar-se em hotel de rico e, com tudo isso, querer que os outros acreditem que não é rico. Lula exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo. Quando tem problemas de saúde, interna-se no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, um dos mais caros do mundo. Sempre chega ali de helicóptero. Vive cercado por um regimento de seguranças que só o típico magnata brasileiro costuma ter. O ex-presidente sempre comenta que só faIam dessas coisas porque "não admitem" que um "operário" possa desfrutar delas. Mas onde está o operário nisso tudo? É como se o banqueiro Amador Aguiar, que foi operário numa gráfica do interior de São Paulo e ali perdeu, exatamente como Lula, um dos dedos num acidente com a máquina que operava, continuasse dizendo, sentado na cadeira de presidente do Bradesco, que era um trabalhador manual.

Lula não trabalha, não no sentido que a palavra "trabalho" tem para o brasileiro comum, desde os 29 anos de idade, quando virou dirigente sindical e ganhou o direito legal de não comparecer mais ao serviço. Está a caminho de completar iria 68 e, depois que passou a fazer política em tempo integral, nunca mais tomou um ônibus, fez uma fila ou ficou sem dinheiro no fim do mês. Melhor para ele, é claro. Mas a vida que leva é um igualzinha à de qualquer cidadão da elite. O centro da questão está aí, e só aí. Todo o resto é puro conto do vigário.

Artigo de J.R.Guzzo, publicado na revista Veja (05/06/13)
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09h15min.    -    adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 15 de maio de 2013

DEPUTADOS LEVAM GRANDES MATÉRIAS À PAUTA

A Câmara dos Deputados tem a responsabilidade de tocar pra frente algumas agendas públicas muito importantes à nossa sociedade brasileira. Assuntos de diversas matizes estão subindo à pauta e o país deve ficar atento. A experiência com iniciativas mais recentes  nos mostra que, embora o Governo tenha maioria na Casa, não tem assegurada a a vitória nas votações de seu interesse. Segundo a Agência Câmara, algumas das mais interessantes discussões estão prestes de acontecer, portanto, fiquemos atentos.

Se couber um breve destaque, só para se ter uma noção da coisa toda, a Presidente Dilma, após constatar nas pesquisas de opinião que são os investimentos na educação pública do país um dos responsáveis pelos piores indicares sociais de seu governo, passou a defender que se destine integralmente os recursos oriundos dos royalties do petróleo à educação, o que valeria para a União, estados e municípios. O discurso é simpático, mas há quem discorde - e eu sou um deles. Não tenho entendimento de que seja a falta de recursos a causa de uma educação ruim no país, e sim a falta de gestão. Mas, o seu possível adversário na disputa eleitoral de 2014, o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se apropriou da ideia e já encaminhou a medida à Assembleia Legislativa de Pernambuco, teve a matéria aprovada e já sancionou. Uma boa experiência doravante para sabermos se era esse o problema.

Nessa toada, os deputados criaram nesta terça-feira (14) uma Comissão Especial que irá analisar o Projeto de Lei 323/07, do ex-deputado Brizola Neto (PDT-RJ), e outras dez proposições relacionadas à política energética nacional e às atividades relativas ao monopólio do petróleo. O projeto principal institui o Conselho Nacional de Política Energética e, entre outros dispositivos, vincula as receitas de royalties do petróleo destinadas a estados e municípios à aplicação em educação (30% dos recursos), ações ambientais (30%) e em infraestrutura (40%). Ou seja, uma medida mais abrangente que a proposta pela Presidente Dilma, e com a digital dos parlamentares.

Mas, como pode ser lido ao acessar os links acima, esta é apenas uma das matérias importantes que os congressistas se debruçarão - e que promete patrocinar muitos debates Brasil à fora. Por exemplo, há a questão do Orçamento Impositivo, que deverá ser discutido e, se aprovado, pode alterar tudo e conferir ao papel do vereador, só para se ter uma ideia, um peso muito maior que o que tem hoje. No momento em que os Estados discutem com a União o que os governadores estão chamando de um novo pacto federativo; alheio a inserção dos prefeitos na discussão, diga-se de passagem, é sempre importante pôr a lupa no assunto. Há uma cisão na representatividade dos prefeitos, já que a CNM tem um forte concorrente agora, que é a revitalizada Frente Nacional de Prefeitos. Ambas defendem pautas municipalistas nesse novo federalismo ensaiado, mas, acima de tudo, tentam tirar dos governadores o papel de único interlocutores à mesa com a União e congressistas. Tornarei a abordar o assunto por aqui. 

Boa leitura.
Foto: Símbolo do Parlamento Jovem do Brasil/Divulgação
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10h16min.    -       adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 13 de maio de 2013

CÂMARA DE PIRAÍ EM TEMPO REAL


A Câmara Municipal de Piraí finalmente deu um passo à modernidade e a um maior grau de transparência ao estabelecer um canal online de transmissão 'ao vivo' das sessões legislativas. A cidade é conhecida nacionalmente como uma das que mais obtiveram conquistas sociais com a implantação do programa 'Piraí Digital', e ainda pecava pela não transmissão das sessões de Câmara. Há sim que se comemorar o evento. Há outros passos que precisam ser dados, mas é preciso reconhecer o avanço. 
O canal dessa transmissão você assiste clicando -aqui-.

A receita de Piraí, assim como a maioria das prefeituras por todo o Brasil, começa neste primeiro período com 8% a menos na arrecadação - em comparação com o mesmo período do ano passado e com base na estimativa orçamentária. O principal fator seria a recessão mundial e os benefícios tributários do Governo Federal para estimular a economia brasileira, mas que o faz comprometendo os cofres municipais; em outras palavras, cortesia com o chapéu alheio. O vereador petista,  Sr. Alzemiro, que sobre esse trecho de minha observação não falou nada, fez uma exposição muito interessante na sessão Legislativa de hoje em relação ao assunto, reclamou a necessidade de um PCCS - Plano de Cargos Carreira e Salário; particularmente, eu tenho mais apreço pelo PCCR, ou seja, remuneração ao invés de salário, mas, enfim, o nobre edil fez também um breve arrazoado sobre a viagem do prefeito Dr. Luiz Antonio a Brasília/DF, onde o alcaide fez várias conversas e avançou bastante sobre muitas agendas públicas para o Município de Piraí.

O vereador Júnior, por sua vez, falou claramente sobre projetos e a autoria de cada um e sobre como tem buscado o diálogo político e institucional com a Prefeitura, no sentido de cobrar resultados e agilizar as providências. Tem sido interessante o trabalho desenvolvido por esta legislatura e os debates estão mais qualificados. O Vereador Prico, que Preside a Casa, com certeza conferiu maior visibilidade ao trabalho dos vereadores. Importante mesmo a abertura deste canal e aos poucos vamos proseando por aqui acerca das matérias que subirem á pauta e dos debates que se derem - doravante. Um Legislativo composto por onze vereadores e que tem a responsabilidade de ajudar o Prefeito a governar, sem abdicar de seu papel legislador. Gostei muito da iniciativa.

Piraí é uma cidade que mais conquistas políticas teve nos últimos anos, com o vice-governador do Rio, o Pezão, e o Deputado Estadual licenciado e ocupante da gestão estadual na Secretaria de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, portanto, o que ocorre ali não pode ser tratado à parte, mas como parte de um processo importante da força de cidades interioranas no contexto político estadual. 
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20h20min.   -    adelsonpimenta@ig.com.br

OS SÁBIOS DO NADA

Olá, tudo bem?
O título é a chamada da excelente análise crítica feita por José Roberto Guzzo, na coluna Mundo Estranho, da revista ALFA deste mês (maio/13), à partir da pág. 104. Recomendo a leitura. 
Um trecho do começo da abordagem:
"Dá para encontrar de tudo numa pesquisa de opinião: insanidade, bobagem, até desonestidade. Difícil mesmo é achar a verdade. Nunca, em todos os seus 10 mil anos de vida ou mais ou menos civilizada, o ser humano recebeu tanta informação sobre o que pensa, o que quer, o que tem, o que vai fazer, de quem gosta ou não gosta, em quem confia, em quem vai votar, quem aprovava, quem desaprova. Recebe dados precisos sobre a popularidade da presidente da República, do ex-presidente e de gente que não é uma coisa nem outra. O público é apresentado a questões sobre as quais não tem a mais remota ideia - das células troncos à calota polar, da nutrição orgânica à situação na Faixa de Gaza. É frequente, também, que peçam sua estimativa sobre coisas que não tem nenhuma condição de estimar. Os estádios brasileiros ficarão prontos para a Copa? Quem será o Papa? Quantos centímetros serão acrescentados à Ferronorte em 2013?..."

OPINIÃO
É instigante a linha de raciocínio apresentada pelo jornalista. Ele toma o cuidado em sua redação de não ser contrário a qualquer instituto de pesquisa nem confronta a importância do modelo científico de consulta, mas, inegavelmente, sua forma de colocar as coisas nos remete a reflexões que talvez não estejamos fazendo rotineiramente. Ele ilustra sua linha de raciocínio enfatizando: "A cada eleição fica provado que sondagens de voto são um cassino. Só dá para apostar na véspera - e com o coração na boca". Sem dúvida, os prognósticos vão se mostrando cada vez mais disformes.

De fato, as perguntas são feitas para a obtenção de respostas que mais se quer ouvir que as que se tem para ser fornecida pelo entrevistado, porquanto, as divulgações desesperadas dos pretensos candidatos a cargos eletivos, de indústrias voltadas para bens de consumo, enfim. Diria mais, nem sempre o resultado divulgado de pesquisas de opinião, seja lá qual for o assunto, dialoga com a percepção nas ruas - basta conversar com as pessoas para descobrir que não batem certos resultados apresentados, assim como se distingue muito das sondagens, monitoramento e enquetes feitas nas redes sociais sobre o mesmo assunto. Basta fazer a pergunta de um outro modo e pronto, o resultado já será outro, muito provavelmente.

Quem tiver um tempinho e condições de comprar a revista, vale muito á pena. Custa R$ 12,90. Há outras matérias e dicas de negócios, trata-se de uma publicação voltada para o público masculino, mas, como toda e qualquer revista, pode ser lida por todos. Essa parte, em específico, deixo por sugestão de leitura e reflexão.
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09h10min.     -     adelsonpimenta@ig.com.br

sexta-feira, 5 de abril de 2013

REFORMA POLÍTICA EM DEBATE


A Reforma Política está na agenda de discussão nacional, mas, convenhamos, muito mais entre os congressistas que aberta à sociedade. A pauta é de interesse direto dos partidos políticos, é bem verdade, mas, em meu entendimento, atende também ao interesse popular. Em entrevista há alguns dias ao jornal 'Valor Econômico', o ex-presidente LULA disse que não crê noutra possibilidade de a coisa avançar de fato sem que uma Assembleia Constituinte seja convocada especificamente para lidar com a matéria. Não é razoável discordar dessa opinião do LULA, afinal, se considerarmos que os congressistas foram eleitos dentro das regras vigentes, fica subentendido que não queiram mudar substancialmente as coisas. Mas, como deve ser senso comum no país, as regras eleitorais precisam ser atualizadas, é imprescindível alterar as coisas.

O Deputado Federal do PT, HENRIQUE FONTANA, segundo 'nota' da Agência Câmara,  deve priorizar cinco temas no debate dos dias 9 e 10, na próxima semana, sendo: financiamento público exclusivo de campanhas; fim das coligações eleitorais; coincidência de eleições para todos os cargos; instituição de uma lista flexível de candidatos; e simplificação do processo de apresentação dos projetos de iniciativa popular. As bolas levantadas pelo parlamentar são realmente algumas das quais precisam ser tocadas pra frente, mas esse debate vem patinando há anos, e tomara que progrida agora.

Duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs 10/95 e 3/99) e um Projeto de Lei (1538/07) deverão nortear a discussão. Segundo os substitutivos a serem apresentados por Fontana, as coligações eleitorais ficarão proibidas nas eleições proporcionais. Os partidos que se unirem nas eleições deverão formar as chamadas federações partidárias, que durarão pelo menos quatro anos. Além disso, de acordo com as PECs, todas as eleições passarão a acontecer apenas uma vez a cada quatro anos – não mais em dois grupos, de dois em dois anos, como ocorre atualmente. Para tanto, os prefeitos e vereadores eleitos em 2016 teriam mandato de seis anos. Outra medida prevista é a mudança nas datas de posse dos eleitos – 5 de janeiro para os prefeitos, 10 de janeiro para os governadores e 15 de janeiro para o presidente da República.

Não bastasse esse monte de novidades, em Brasília há ainda ruídos de uma outra importante discussão que está prestes a ser levantada, conforme apalavrado pelo então candidato a Presidência da Câmara dos Deputados, o peemedebista HENRIQUE EDUARDO ALVES, que é a mudança deliberativa e conceitual do Congresso Nacional sobre o Orçamento Geral da União, tornando-o impositivo, e não mais autorizativo. Tanto as questões levantadas pelo relator da reforma política quanto essa proposta já reiterada pelo Presidente da Câmara depois de eleito, se aprovadas, mexerão substancialmente com toda a estrutura política e eleitoral existente no país. Farei, em postagem subsequente, uma leitura analítica de algumas entre as muitas possibilidades para o povo brasileiro - com eventual aprovação dessas matérias. Acato sugestões.
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08h27min.      -       adelsonpimenta@ig.com.br

segunda-feira, 11 de março de 2013

ESTADOS VÃO ASSUMIR LICENCIAMENTO AMBIENTAL


A notícia de que o Governo Federal vai repassar para as secretarias estaduais de Meio Ambiente parte dos processos de licenciamento ambiental, hoje feita pelo Ibama, é boa, mas deve ser vista com cautela, no conjunto da obra. Desburocratiza, é verdade, mas também concentra poderes. A alegação oficial é que o objetivo é fazer com que o Ibama passe a se concentrar em empreendimentos de infraestrutura de grande impacto e complexidade socioambiental, fazendo com que projetos menores migrem para Estados e, em alguns casos, para Municípios. O informe é do +Valor Econômico. Na prática, o governo vai regulamentar a Lei Complementar 140/11. 


Nos debates inicias, todavia, mesmo vendo os especialistas e os técnicos dos Ministérios envolvidos falando sobre a necessidade de se dar celeridade aos procedimentos e evitar questionamentos sobre competências, feitos pelo Ministério Público Federal - MPF; até agora, por exemplo, não ouvi ninguém falando sobre a capacidade operacional e efetivo humano dos Estados e Municípios para dar conta da matéria. Na situação em que já se encontram hoje, tanto os órgãos estaduais quanto municipais, em sua maioria, reclamam da falta de gente para os serviços de análise e de fiscalização existentes, logo, creio eu, sem que este dever de casa seja feito com antecedência, creio ser uma aventura errante - se fazer tal permissão legal. Óbvio que ter o licenciamento nas mãos de órgãos mais próximos dos empreendimentos, de certo modo, facilita as coisas, mas o custo disso pode ser ainda mais alto se não for antecedido de certas precauções estruturais nestes órgãos públicos.

Por fim, entendo que seja necessário aprimorar legalmente mecanismos de controle social sobre tais licenciamentos. Além das Comissões de Análises de projetos de cada órgão público, bem como das Câmaras de Compensações, é preciso que os Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente e Urbanismo que, a meu ver, também devem ser reformulados para contemplar análises sociais também, não podem ficar imprevistos no teor da nova legislação com essa transferência de responsabilidade pelo licenciamento ambiental.
Imagem: Google/cpt.com.br
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11h32min.   -    adelsonpimenta@ig.com.br

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O DESAFIO DE SE OPOR


Um cometimento de equívoco que boa parte dos aficionados pelo jogo político não hesita em suas estratégias, em meu modesto entendimento, é na forma de se opor. Há que se extrair aprendizado. O eleitor já conheceu, por exemplo, a oposição raivosa, colérica, que mata adversários, literalmente. Depois, com o amadurecimento do processo, passamos a ver também uma oposição mais incisiva, porém inconsequente, dizendo 'não' a tudo o que seja originado no governo, seja ele qual for. Avançamos com outra mentalidade, mas não sem equacionar totalmente os modos anteriores, e ganhamos uma oposição que investiga, pesquisa e oferece denúncias aos órgãos judiciais, em boa parte das vezes com teses que mais ensejam intervenções sobre os investimentos procedidos pela máquina pública que a busca necessária da qualidade naquilo que está sendo feito pelo governante; neste caso, há mais exceções que nos outros. Mas, afinal, há um modelo adequado de oposição?
Creio eu que a obrigação de quem se propõe à vida pública deve ser uma só, o conteúdo sob a chancela da lisura e da probidade. Tanto faz se governo ou se oposição, o que se espera é qualidade na representação política outorgada pelo voto. A lógica, infelizmente, talvez, seja o que mais se encontra desidratada. A política de mercado é capitalista em sua essência e a política de Estado, por mais que calce sandálias de socialismo, não se sobrepõe as pisaduras do capital. Mas, se é que querem saber, num local como o Brasil onde brota um novo partido político a cada desavença entre dois lideres de uma mesma legenda, não há ciência política que consiga definir quais destes se mantém fieis as suas bandeiras ideológicas, se de esquerda ou direita, de de centro, se capitalista, socialista ou comunista, enfim. Questionar não é um valor sumulado, mas empírico, todavia, propor deve também ser uma ação abraçada como meta. Mas, veja, a proposição que trato vai além das inserções discursivas, tem moradia no campo das pesquisas. A estrutura não é por óbvio a mesma de quem governa, mas até esse desenho financeiro dos Fundos Partidários precisam de uma reavaliação, eles nunca chegam nos diretórios municipais, onde de fato está a raiz de toda discussão. Ser o aferidor dos anseios da sociedade sobre a coisa pública e tratar isso sem o imediatismo da próxima eleição, creio, é o desafio de se opor. Esse debate não se esgota aqui. Não deve, nem tem como.
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12h17min.    -     adelsonpimenta@ig.com.br